quarta-feira, 20 de junho de 2018

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Quero o euromilhões




Quero ganhar o euromilhões!

É com frequência que oiço isto e são mais as vezes de desânimo que as de ânimo quando estas palavras saem da boca de quem as diz, como que já em jeito de despedida àquele prémio que pelos vistos tanto jeito ia dar.

Eu respondo com frequência: “não jogo, não tenho esse vício, uma coisa é por brincadeira, por sistema não o faço. Trabalhar a mim dá-me mais lucro e menos despesa”. Normalmente é frase que deixa qualquer um a olhar para mim, com um ar de quem fica a pensar “coitada é parva”!!

E se calhar até sou. Não sei. O tempo um dia me dirá se assim é. Por agora sei que o meu euromilhões é outro. Jogo para outro prémio. Esse prémio, não sei ainda se é maior ou menor que o famoso euromilhões. Resta-me esperar serenamente e ver com os meus olhos que tipo de prémio me espera.

Também sei que muitas das vezes o euromilhões de outras pessoas não é aquele apelativo e apetitoso prémio final. É outro. Tão outro que por vezes o caminho lhes é tão toldado pelos infortúnios da vida e acabam por desistir dele, porque o cansaço às vezes vence mais do que a luta pelo prémio que é uma incerteza. Às vezes tudo parece tão incerto e certo ao mesmo tempo que a confusão se instala de tal forma, que se acaba por não perceber, no final das contas, "que raio ando aqui a fazer. Por que prémio quer afinal lutar".

É certo que todos temos uma missão na vida. Como em tudo. Todos nascemos para fazer algo de verdadeiramente especial. Todos temos um propósito a cumprir, e quantos estão verdadeiramente a cumprir o seu? A usufruir do seu euromilhões? Não consigo alcançar muitos, e claro está que não se dá um prémio tão chorudo de bandeija! Não. Há que deitar suor cá para fora e aprender a confiar no que o coração quer, porque ele, apesar de todos os caminhos mais fáceis que vão aparecendo, ele sabe sempre escolher o mais certo para nós. Mesmo que seja o mais difícil.
E normalmente é sempre o caminho mais difícil que o coração escolhe, pois ele sabe que é aquele que traz a verdadeira felicidade. Ele sabe que é por ali que vamos de encontro ao nosso desejado prémio final. Ele sabe onde está o nosso euromilhões só que obriga-nos a encontrar maneira de acertar na chave correcta para o ganhar!

É mais ou menos um jogo. Só que real. Onde se pretende que semana a semana se vá tentando chaves diferentes até conseguir acertar. Não. Não é nada fácil. No jogo “virtual” também não o é, pois não? Aqui funciona igual.

O nosso euromilhões pretende reflectir a nossa essência, da forma mais plena, pretende-se que possamos viver consoante o propósito para a qual estamos destinados, e, cada um terá o seu papel, e dentro do seu papel, a felicidade está lá inserida bem como… o euromilhões!! Nunca vi ninguém feliz num sítio ou numa função que simplesmente detesta. Assim como também nunca vi ninguém estar muito tempo num lugar que não estava no seu destino estar. É como em tudo. Tudo um dia tem um fim, e o verdadeiro euromilhões tem um dia a sua chegada à nossa vida. Até lá alguns vão lutando por ele, corajosamente, outros vão se entretendo a tentar roubar o euromilhões do vizinho. O que não lhes compete nem sequer pertence.

Assim acontece. E por isso, muitas vezes tantos se queixem que o euromilhões é difícil de conseguir. Que está lá longe onde é impossível chegar. Acabando por desistir, ou até por entregá-lo de bandeja a quem não tem direito a ele.

Quantas vezes estamos certos de que é aquela ideia. Aquele plano. Aquele caminho que é o certo, pois nos dá uma alegria tão pura, que sabemos, que é ali que está o euromilhões, e chega algo que nos ceifa. Que nos corta. Que nos rouba a felicidade, sem dó nem piedade. Chega algo que bloqueia, como que a dizer “não, não não… não penses que vais ser feliz”.

Quantas vezes isso acontece? Quantas vezes lutamos por algo que sabemos dentro de nós que é o nosso caminho e esbarramos com mais meia dúzia de bloqueios, que mais parece que nos dizem “este não é o teu caminho” e nós sentimos que é. E depois? Como ficamos nós, no meio de tantas nuvens? Baralhados. Confusos.

Ficamos mesmo a achar “eu gostava mesmo de fazer aquilo, mas não consigo, não tenho hipótese nenhuma, vou trabalhar para outro lado” que por ironia do destino consegue aquele trabalho, que não só frustra como ainda dá a certeza. “se calhar eu não sou mesmo talhado para aquilo”!

E acontece a desistência do sonho. Aqui. Sem mais nem menos. E porquê, porque os bloqueios nos levam por caminhos aparentemente mais fáceis, e igualmente frustrantes onde sair dali parece quase uma utopia. Quer-se a todo custo e o mais rápido possível sair dali, como se de uma maratona se tratasse. Tem-se afinal de contas de apostar no euromilhões. E quem diz que se consegue apostar?

Não dá para apostar a partir daí, tudo parece acontecer em catadupa para que as apostas sejam não apostas. Para que não consigamos ter nem tempo. Nem dinheiro. Nem nada para fazer a nossa aposta naquilo que é verdadeiramente nosso. E acabamos por “usufruir” do euromilhões de todos, menos do nosso! Será isso justo?

Não é. De todo. Sabe-se que o coração sabe a resposta para o prémio final, apenas se desconhece o caminho até lá. E este, por ser tão verdadeiro. Por ser tão nosso. Por ser tão rico. É ceifado. As nossas atenções são desviadas para caminhos aparentemente mais fáceis que, nada trazem além de cansaço, frustração, raiva, dor… e muito mais…

Muitos, no meio desse duro caminho, tentam lutar. Tentam encontrar respostas, outros porém, perdem-se tentando roubar (literalmente) o euromilhões que quem a muito custo o conseguiu. Será isso também justo? Claro que não. Apesar de ser minimamente compreensível.

Afinal de contas porque raio “ele” conseguiu viver o sonho e eu não??
Afinal de contas que porcaria “fiz eu de mal” para não conseguir?

Nada, habitualmente não se faz nada de mal. Só se desiste da luta e acima de tudo, acredita-se nos factores físicos que a mente vai validando tais como “estou efectivo no meu trabalho”! “arranjei trabalho passado duas semanas de ter desistido do meu projecto”.

Isto apesar de estranho acontece com tanta, mas tanta frequência. Ter-se logo colocação num local onde não se é feliz, porém, é confortável e paga contas… mas o euromilhões… está do outro lado da ponte. E “talvez um dia eu consiga”… esse dia custa. Tarda. Demora a chegar. Acontecem sempre mil e uma coisas para impedir a sua chegada.

Nunca mais há tempo. Vontade. Dinheiro. Energia. Disposição para voltar à carga porque aquele posto consome mais do que 24 horas a trabalhar no que se gosta, no euromilhões.

O conforto daquilo cansa. Frustra. Desgasta, e tira logo à priori metade das energias para ter vontade sequer de pensar em novas apostas. E porquê??

Voltamos, muitas vezes a perguntar. “porque é que outros conseguem e eu não?”

Não é a ser assim que se vai conseguir algo, pelo contrário, só piora, só vai ficando pior e a ver os outros a subir! Não tem como, aqui é um jogo, de cruzes, mas acima de tudo, é um jogo de xadrez, com a nossa própria vida. Não com a dos outros.

Encara-se por vezes demais, esta situação como um jogo de xadrez, não de nós para nós, e sim de nós para os outros. e claro, acaba-se, por incompreensão e maldade que da frustração vai nascendo, por encarar isto como um jogo de xadrez. Em que “se tu “morreres” eu já vou conseguir”.

Errado. Se outro “morrer” há mais “peças” no jogo, e vamos acabar por exterminar tudo? Não é conveniente, diga-se. É mais conveniente exterminar sim, todos os bloqueios que tem dentro, do que os que tem fora. Pois ninguém vai abrir mão do seu prémio final, depois da luta que foi para o conseguir. Ninguém. Basta pensar. Se um dia o ganhar, vai abrir mão dele e deixar que o destruam? Nunca!!

O euromilhões de cada um, dentro de cada um está, e as peças do jogo, também. O tabuleiro é a vida e digamos que as peças do jogo são os entraves que esses sim vamos ter que ir eliminando conforme as armas que dentro de nós temos. Não é suposto “tirar do vizinho aquilo que era suposto ser meu”! Isso não é ganhar. É roubar!




Sandra L Santos 

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