segunda-feira, 14 de maio de 2018

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Não sei se te desculpo!




Não sei se te desculpo…!



O tempo não cura tudo, ele ajuda sim a compreender melhor as coisas, e, talvez por isso se diga que ele cura tudo, coisa que, manifestamente não corresponde à realidade.
O tempo é talvez o nosso maior amigo e inimigo ao mesmo tempo, na medida em que ele traz e leva. Ele dá e tira, às vezes em medidas tão intensas que acabamos perdidos nele, sem saber por onde ir… assim é ele…

Durante algum tempo fui, talvez de forma demasiado intensa, acreditando que o tempo ajudava a que tudo se perdoasse e /ou esquecesse. Não foi assim. Não é assim. Não funciona assim.

Quando me foi apresentado o ho’ponohopono, pensei “talvez seja boa ideia experimentar. Talvez resulte”. Não resultou. Não que a técnica seja falível ou errada. Não. Nada disso, simplesmente cheguei à conclusão que comigo, não resulta. E foi isso que durante esse tempo me fez repensar em tudo aquilo que havia acreditado e testado até então. 
Não dou nada como certou ou garantido. Para mim tudo representa uma possibilidade em aberto para que possa verificar, pelas minhas mãos, olhos e sensações o que aquilo me traz!

No caso não me trouxe nada. Absolutamente nada. Pensei “talvez esta técnica não resulte comigo”. Mas como não, se com outros resulta? Porquê?

A resposta chegou tempos mais tarde…

E hoje posso afirmar que não é a técnica que está errada, mas sim a forma como a olhamos, ou a forma como em geral se olha para ela!

Porque é que tens que perdoar a quem te tirou tudo?
Porque é que tens que perdoar a alguém que te deseja ver abaixo de mal?
Porque é que tens que pedir desculpa sendo que não és culpado de nada?
Porque é que tens que amar, quem só te sabe prejudicar?

Porquê??
Faz sentido?

Para mim não faz. Não pode fazer.

A questão é complexa…

Tu não tens que perdoar coisa nenhuma. Podes aceitar. Podes compreender, podes até perceber as motivações e / ou as circunstâncias, mas perdoar é outra coisa! Perdoar deve ser genuíno. Deves querer de verdade perdoar tal pessoa.

É por isso, essencialmente por isto, que a técnica não funciona!

Até podes escrever mil cartas. Mil orações. Mil… se não fores verdadeiramente sincero, não resulta… e não me digam que “faz-se um esforço para se ser sincero”… nem tudo merece ou sequer permite esse esforço. Não dá.

Há situações que, por mais que até queiras, não as vais conseguir desculpar… nem vale sequer a pena tentares fazer o esforço, porque não vais conseguir.

É a realidade…

Assim para mim, na técnica ho´ponohopono, fica a faltar algumas coisas. Ou as que estão devem ser substituídas, pelo menos a meu ver, comigo funciona melhor!


Eu compreendo que a situação / acontecimento tenha chegado a este ponto, mas….

Eu aceito as tuas motivações, sei que o que te levou a fazer isso foi... mas…

Eu agradeço-te por todas as lições que me trouxeste e que me obrigaste de uma forma ou de outra a desenvolver, mas agora…

Eu respeito-te como ser humano em evolução que és no entanto não te consigo perdoar porque…

Eu estou em paz agora porque sei quem tu és. O que fizeste e porque fizeste. Estou em paz porque consegui chegar ao patamar que me era proposto, (seja isso lição ou não), mas a partir de agora sou um ser livre e independente.


Sei também que esta técnica é usada como corte de padrões e / ou comportamentos kármicos, e quanto a isso posso afirmar que não resulta.

Como podemos nós perdoar, aceitar, compreender… o que nem sequer sabemos que fizemos?

Resulta sim, quando nos propusermos a perceber o que foi feito, que padrões temos, que existe mais… não resulta no vazio!!

...

Para mim não funciona fingir que amo. Fingir que perdoo. Fingir que estou grata. Não!! Não é assim que deve funcionar.

Podes executar a técnica na mesma, só que adaptada a ti. Porque raio tens tu de fingir se não é isso que sentes?
Estarás com isso a libertar um padrão, ou a vincá-lo ainda mais ao reprimires o que sentes?

Estarás a ser justo contigo quando dizes que perdoas? Ou estarás só a dizer que perdoas, mas na verdade almejas por justiça?

Se desejas justiça, não estás a perdoar e logo aí verás porque não funciona. Não estás a ser sincero. Principalmente contigo!

Porque raio tens tu de desculpar algo que vai totalmente conta os teus valores? Só porque é politicamente correto? E isso é sincero? Estás genuinamente a desculpar ou estás apenas a tentar mascarar a dor com um peseudo-amor momentâneo?

Porque raio tens tu de amar ou sequer perdoar alguém que te odeia e passa a vida a fazer coisas menos felizes? És humano, não és maquina nenhuma. Tens sentimentos, como tal, não tem lógica nenhuma perdoar.

Tens sim, que aceitar e respeitar. Mas nada mais que isso. A meu ver… tu aceitas e respeitas que aquela pessoa ou situação passou por ti e que de alguma forma te marcou, mas perdoar?? Amar?? Porque razão se isso te trouxe dor?

Hipocrisia!

E será que ser hipócrita mesmo contigo próprio te vai ajudar a mudar algo? A transmutar???

Não. Definitivamente não!

Porque é que continuamos todos agarrados à ideia de que temos que desculpar quem nos magoa??

Não fará mais sentido aceitar e respeitar? A mim faz. Comigo tem maior efeito, impacto e resultado.

Porque raio havemos de andar sempre de emoções reprimidas e de coração aberto para receber o ódio. A guerra… e tudo mais? Poruqê? Porque raio havemos nós de fazer algo que é contra a nossa natureza. Os nossos princípios. Os nossos valores?

Não seria mais fácil fazer algo que sim, marcasse um ponto onde se verificasse transmutação de energias e / ou padrões, mas, algo que fosse de acordo com o nosso ser? Não fará muito mais sentido agir de acordo com o que sentimos, e não só perdoar porque fica bonito? Não fará mais sentido respeitarmo-nos a nós em primeiro lugar? Não fará mais sentido marcar a nossa posição. Marcar que aquilo nos doeu? Marcar que “ok, entendo, mas…”?

Será que faz sentido viver na hipocrisia de fingir?
Ou fará mais sentido dizer o que verdadeiramente sentimos?

 Sandra L. Santos 
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